segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Catástrofe no Haiti. Foi a Mão de Deus??
Não demora muito a de se pronunciar no meio protestante conservador alguma voz arbitrando às avessas em favor de Deus o mando, ou pelo menos a supervisão divina na catástrofe que se abateu sobre o povo haitiano. Sacando de qualquer manual de teologia sistemática uma pilha de versículos que legitime expressões como ira, cólera, vingança, juízo, relacionados a Deus no exercício da sua implacável justiça, devem em breve chuviscar em alguns púlpitos. Para estes, endossar qualquer dessas expressões é tão fácil quanto colocar a cabeça no travesseiro e dormir sossegadamente, crente que os fragmentos com que monta sua teologia - sempre em tese -, bastam por si mesmos.
Fragmentos que servem de argumento, que podem até silenciar para si os gritos das vítimas durante seu anestésico e proposital sono do esquecimento, mas não lá no mundo real, pelas ruas, debaixo dos escombros, cobertos com farrapos ensaguentados, com membros gangrenados, morrendo de sede, fome e medo. Lá os gritos não silenciam. Lá não há o sono do esquecimento.
Não é preciso discorrer os argumentos sobre os quais descansam estes que ao invés de silenciar e chorar, o que seria mais digno e humano, preferem lançar sobre Deus todo o ônus da tragédia. Não é preciso, pois, basta vasculhar o imaginário mítico arcaico e medieval para perceber que os acovardados sempre usaram do mesmo expediente para camuflar uma indiferença patológica em relação à vida, com uma pretensa reverência a Deus.
Neste caso o que importa é que seus argumentos são o que basta para seu modo de vida evasivo, denunciado pela incoerência entre o belo arranjo teológico em contraste com a dor humana, onde qualquer teoria que não tem liga com a vida se dissolve. Constroem um suntuoso castelo, mas eles mesmos, não moram sequer na pocilga nos fundos do quintal (Kierkegaard).
Também não é necessário discorrer sobre como coadunam a ideia de justiça divina com o fato das tragédias. Basta lembrar que (para estes) em última análise Deus tem algo a ver com isso, e que, de alguma maneira que nós vermes ignorantes, que só usamos 10% da nossa cabeça animal, estamos distantes de compreender. Seja, Deus tem um propósito maior em causar dano às pessoas, não sabemos qual, mas tem.
Promovem com isso um fatalismo no qual tudo já está por ordenação divina pré-determinado, inclusive e principalmente tragédias como a do Haiti. Algo como uma imensa rede armada pelo próprio Deus, onde por Sua vontade fixou o que os homens devem fazer, sendo a liberdade uma ilusão, pois, habitamos prosaicamente um mundo de antemão programado (José María Mardones).
Se a Razão não tivesse encarnado seria tão mais fácil resignar e aceitar passivamente o fatalismo, calcado sobre a imagem de um Deus ambíguo, atacado e furioso com a raça humana, despejando diariamente raiva e disciplina na forma de assombrosas tragédias.
Encarnar não quer dizer simplesmente encher temporariamente um corpo com alma. Encarnar significa se fazer corpo nos embates da vida que produzem cicatrizes que a ressurreição não apagam, pois, são as consequencias de se fazer um de nós.
Encarnar é criar uma identidade. Criar identidade não significa se auto afirmar como ser-em-si, opaco, maciço, incólume. Antes, criar identidade é reconhecer-se um ser coletivo, pelo envolvimento com outros da mesma espécie, tornando um ser-para-os-outros, para todo o sempre.
O envolvimento do Cristo foi proféticamente antecipado pelo profeta que disse que ele tomou para si as dores que nos afligem, fazendo seu o nosso drama (Is 53.4).
Se ele toma para si nossas dores, como pode então ser Deus à causá-las? A não ser que estejamos numa brincadeira cósmica em que o papel que cada um interpreta seja fictício e toda dor e lágrima é como prêmio para o Grande Jogador. Embora a quem se sinta confortável nas mãos de um Deus que joga com os destinos das pessoas, viver debaixo dessa lógica nada mais que é que um mecanismo de fuga.
Como então alinhar a concepção de justiça divina ligada à imagem de um Deus belicista e vingativo, em comparação com a justiça do Reino a ser buscada anunciada por Jesus?
Se por um lado o conservadorismo de extrema direita diz que Deus é soberano e ponto final, por isso mata, aleija, faz mendigar o pão a quem Ele bem entende, por outro lado, Jesus desfaz essa lógica insana pela prática da compaixão e do envolvimento com os outros. É que para Jesus justiça tem a ver com cuidado, preservação e restauração da vida, libertação das amarras sociais e das estruturas malignas de coerção que desumanizam o humano.
Como harmonizar a ideia de um Deus que mata pessoas de fome, enquanto Jesus se compadece de uma multidão faminta, reproduzindo pães e peixes para lhes aliviar o vazio na barriga?
Como pensar que Deus tira arbitrariamente a vida, se Jesus, condoído, a devolve?
Como acreditar que Deus se utiliza de doenças e tira proveito da dor humana para atingir Seus fins, se Jesus sara a dor, curando quem se põe em seu caminho?
Como viver debaixo da supervisão de um Deus encolerizado com a raça humana enquanto Jesus caminha na contramão, pregando e vivendo a justiça em outras categorias, cuja ética é seu mais legítimo dever?
Se o homem que é mau sabe dar boas dádivas, quem dirá Deus (Mt 7.11). No caso do Haiti a ajuda humanitária que chega de todas as partes do globo fica na conta de quem, do Deus que é bom ou do homem que é mau? Parece que os papeis se invertem caso seja Deus o causador, ou o supervisor dessa tragédia em Porto Príncipe. Enquanto Deus esmaga e condena à danação, gente que já vivia num inferno existencial infindável, o homem cuida e tenta amenizar a dor de quem na vida só recebeu males. Se realmente é assim, o homem então está numa qualificação superior a Deus, já que mesmo sendo mau consegue sentir compaixão pelo semelhante, mesmo que tardiamente.
Faço minhas as palavras de Paulo Roberto Gomes em O Deus Im-Potente, quando diz que o Deus que Jesus nos apresenta não é um poder frio e distante que podemos acusar quando somos atingidos pela dor e pelo mal, mas alguém que, em Cristo, se tornou Deus humano, gritando conosco, intercedendo por nós quando silenciamos na angústia, quando protestamos contra o destino através do nosso grito, porque amamos e confirmamos a vida.
Alex Carrari, agora é melhor o silêncio.
"Dica do Ricardo Gondim"
Fonte: Herdeiros do Reino
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Versículos preferido dos Super-Pregadores Milagreiros e Ilusionistas.
Em João 14.12 está escrito: “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai”. Este versículo é o preferido dos super-pregadores milagreiros e ilusionistas, que se valem da ênfase “obras maiores” para avalizar os seus truques, trapaças, experiências exóticas e antibíblicas, além de fenômenos “extraordinários” que não resistem ao teste da Palavra de Deus (cf. Dt 13.1-4; 2 Ts 2.9; Mt 7.21-23).
Neste artigo faço uma análise exegética de João 14.12, pela qual — fazendo jus ao objetivo da exegese — procuro extrair da aludida passagem o verdadeiro sentido da frase “também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas”. Também aproveito o ensejo para responder aos diversos leitores que me enviaram e-mails pedindo explicações sobre o mencionado versículo. Espero que não se decepcionem com esta análise contundente, mas imparcial e, sobretudo, bíblica.
1) O termo grego meizõn, traduzido por “maiores”, no texto em apreço, literalmente é “coisas maiores”. Já o vocábulo “obras” (gr. ergon) significa: “trabalho”, “ação”, “ato” (VINE. W.E., Dicionário Vine, CPAD, pp.764,827), e não “milagres”, estritamente.
2) É claro que a obra da Igreja de Cristo envolve curas e milagres, como consequência da pregação do evangelho (Mc 16.15-20), mas o termo ergon alude a trabalho ou empreendimento, em sentido amplo (Jo 5.21; Rm 15.18; At 5.38). Daí a versão bíblica inglesa King James (KJV) empregar o vocábulo works, denotando que o termo original diz respeito a trabalho, obras, empreendimento, e não a milagres.
3) Qual foi a obra, o trabalho, de Jesus, ao andar na terra? O texto de Mateus 4.23 responde a essa pergunta: “E percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas, e pregando o evangelho do Reino, e curandotodas as enfermidades e moléstias entre o povo”. Outra passagem que enfatiza a obra do Senhor é Atos 10.38:“como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele”.
4) O Senhor Jesus asseverou que o trabalho ou o empreendimento da sua Igreja, representada em João 14 por seus primeiros discípulos, seria maior do que o seu. Mas, em que sentido? “As obras que os discípulos farão depois da partida de Jesus serão maiores do que as de Jesus, não em seu valor intrínseco, ou em sua glória, mas no objetivo. Os discípulos farão obras de Deus numa escala mais ampla, enquanto levam a mensagem da vida eterna ao mundo todo, tanto a gentios como a judeus” (MICHAELS, J. Ramsey, Novo Comentário Bíblico Contemporâneo de João, Editora Vida, p.277).
5) Segue-se que: “As obras ‘maiores’ incluem tanto a conversão de pessoas a Cristo, como a operação de milagres. Este fato é demonstrado nas narrativas de Atos (At 2.41,43; 4.33; 5.12), e na declaração de Jesus em Mc 16.17,18... As obras dos discípulos serão ‘maiores’ em número e em alcance” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, p.1601).
6) Benny C. Aker — professor do Assemblie of God Theological Seminary, em Springfield, Missouri, Estados Unidos —, referindo-se às tais “obras maiores”, afirmou que elas: “Dizem respeito à quantidade em lugar de qualidade. Jesus fez estas ‘obras’, mas seus seguidores ao longo dos séculos trarão milhões de mais obras para o Pai. É o que eles fazem enquanto aguardam a vinda de Jesus” (Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento, CPAD, p.581).
7) Diante do exposto, a passagem em análise não abona fenômenos estranhos, experiências exóticas, invencionices, modismos, sandices, truques, práticas hipnóticas e recursos outros empregados por super-pregadores milagreiros e ilusionistas do nosso tempo. Fiquemos com a Palavra de Deus, haja o que houver (1 Co 4.6; Gl 1.8; 2 Co 11.3,4).
Fonte: Blog Ciro Sanches Zibordi
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
A Assunção de Maria
“Ora, ninguém subiu ao céu, se não o Filho do Homem, que está no céu” (João 3:13). Todo seguimento religioso, tem a sua doutrina, e prega aquilo que crê. Queremos nesta meditação expor este assunto, Assunção de Maria, assim como cremos, baseados na Bíblia, que é a Palavra de Deus, única regra de fé e prática. Teria Maria ido assunta ao céu, com corpo e alma? Não o cremos; e gostaríamos de dizer as razões. Primeiro, porque a Bíblia diz que ninguém subiu ao céu, senão Jesus que está no céu. Segundo, no reino de Deus, não há privilegiados. Todos somos iguais. Terceiro, doutrina não se fabrica, estuda-se. Na terra não existem pessoas infalíveis para criarem doutrinas cristãs, a não ser aceitarem as que estão reveladas na Bíblia. Quarto, todo assunto fundamental e importante, está revelado na Bíblia. E este, não está. Teria Deus omitido, este assunto: Assunção de Maria? __Jamais Ele o faria, se fosse verdadeiro.
Tudo o que o homem deveria saber a Providência divina, o relatou. Ex: a suficiência do sacrifício de Jesus para a salvação do homem; a existência de um mundo melhor, chamado céu; a existência da punição para os desobedientes da palavra de Deus; a necessidade de receber a salvação pela fé em Jesus Cristo; a necessidade de todos serem santos, etc. Citamos apenas estes, à título de ilustração, pois o Salmo 19 diz que, a lei do Senhor é perfeita: lei e doutrina. Só sente a falta de alguma coisa, aquele que negligência o estudo da Bíblia; daí sente a necessidade de fazer acréscimo; criando nova doutrina, como é o caso de Assunção de Maria. Atribuem, além disto, poderes à mãe de nosso Senhor Jesus Cristo, tais como rainha do céu, cheia de graça, enquanto a Bíblia diz que ela foi apena agraciada por Deus. Apresentam-na como mediadora entre Deus e os homens, enquanto que em I Timóteo 2:5, diz que Jesus é o único mediador entre Deus e os homens.
Com tais atributos, ela passa a ser glorificada, como se fosse divina, enquanto que Isaias 42:8 diz: “Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor, às imagens de esculturas”. Como podemos perceber, são ensinadas doutrina humanas, como diz Mateus 15:9: “Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens”. Nós, como povo de Deus, conhecedores da palavra de Deus não podemos aceitar tais doutrinas; porque como temos consciência iluminada pela palavra de Deus, não podemos aceitar tais ensinamentos; ainda que respeitemos a maneira de outros segmentos religiosos, que pensam contrariamente de nós. Nós cremos por ex, no nascimento virginal de Jesus, assim como a Bíblia nos ensina que Maria mãe de Jesus deu a luz a seu filho Jesus, o seu primogênito, e Unigênito de Deus. Veja isso em Lucas 2:7, e em Mateus 1: 25, e ainda Mateus 13: 55 e56.
Prezado leitor, em que se baseia a sua fé religiosa, na Bíblia, ou em outro fundamento? Você está seguro, no que crê? Já imaginou que, ao partir desta vida e comparecendo perante Deus, você tiver a surpresa de que correu durante toda sua vida em vão? De que a sua fé estava baseada em ensinamentos puramente humanos? Aí então quererá reparar o erro, sem o poder fazer. Daí as suas lágrimas, por mais quentes e copiosas que forem não poderão reverter à situação? O que você deve fazer hoje? Deve abrir a sua Bíblia e confrontá-la com tudo o que você aprendeu até hoje. Muita gente responde a estas perguntas, dizendo que, quer morrer na religião de seus pais. E se os seus pais estiveram no caminho errado, e caíram no abismo, você também vai querer fazer o mesmo ? Cremos que não é a maneira mais sábia. Portanto a nossa oração ardente, fervorosa, é que Deus o ilumine. E que Ele seja louvado.
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Pastor Timofei Diacov é pastor e teólogo batistas. Ele reside em Cafelândia, interior de São Paulo.
Fonte: Artigos do Pr. Timofei Diacov
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