domingo, 22 de março de 2009

"Davi o Homem Segundo o Coração de Deus"


QUALIDADES INERENTES Á VIDA DE UM OBREIRO APROVADO

"Porém, agora, não subsistirá o teu reino; já tem buscado o SENHOR para si um homem segundo o seu coração e já lhe tem ordenado o SENHOR que seja chefe sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o SENHOR te ordenou". 1 Samuel 13:14

Quando Deus disse essas palavras a Saul através do profeta Samuel, Davi ainda era um simples adolescente que tomava conta das ovelhas de seu pai, porém, Deus conhecia seu coração e suas atitudes, e portanto, já o tinha na condição de HOMEM.

Davi era totalmente responsável, tanto que poderia ter deixado que o leão e o urso tomassem das ovelhas do rebanho, o que seria plenamente justificável. Não fez assim, mas partiu para cima dos animais e os matou em defesa do rebanho. Teve atitude de homem responsável, de verdadeiro pastor de ovelhas, que não as abandona ao ver o perigo, mas defende o rebanho.

Quando o Senhor o qualificou "segundo o meu coração", era justamente por que estava de olho em suas ações, em sua responsabilidade, mesmo quando não havia ninguém por perto.

É interessante notar o detalhe: Mesmo não havendo mais ninguém, Deus está vendo tudo, quando agimos com temor e responsabilidade, e também quando nos comportamos irresponsavelmente como aqueles que não temem ao Senhor.

"Disse mais Samuel a Jessé: Acabaram-se os jovens? E disse: Ainda falta o menor, e eis que apascenta as ovelhas. Disse, pois, Samuel a Jessé: Envia e manda-o chamar, porquanto não nos assentaremos em roda da mesa até que ele venha aqui". 1 Samuel 16:11

"Então, Samuel tomou o vaso do azeite e ungiu-o no meio dos seus irmãos; e, desde aquele dia em diante, o Espírito do SENHOR se apoderou de Davi. Então, Samuel se levantou e se tornou a Ramá". 1 Samuel 16:13

Após ser ungido rei pelo profeta Samuel, em escolha divinamente inspirada, singular e extraordinária, vemos em mais uma situação, que pessoas ao redor, também prestavam atenção no procedimento, qualidades e virtudes de Davi. É o testemunho dos que estão de fora, como disse o Apóstolo Paulo a Timóteo:

"Convém, também, que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta e no laço do diabo". 1 Timóteo 3:7

Isso aconteceu quando recoheceram a necessidade de um músico, tocador de harpa, para afastar o espírito mau que atormentava o rei Saul:

"Então, respondeu um dos jovens e disse: Eis que tenho visto um filho de Jessé, o belemita, que sabe tocar e é valente, e animoso, e homem de guerra, e sisudo em palavras, e de gentil presença; o SENHOR é com ele". 1 Samuel 16:18

Este texto, ressalta SETE qualidades prioritárias para alguém escolhido para a obra de Deus, principalmente em se tratando de um obreiro:

1 - SABE TOCAR

Davi não fazia as coisas por fazer, não era relaxado, mas fazia e fazia bem feito. Aplicava-se à sua obra com esmero, a ponto de que os outros reconheciam sua capacidade no que fazia. Teve o testemunho de Deus e dos homens.

2 - É VALENTE

Davi era valente, corajoso, não se acomodava, muito menos se atemorizava em situações difíceis.

"Se te mostrares frouxo no dia da angústia, a tua força será pequena". Provérbios 24:10

3 - É ANIMOSO

Davi era pessoa animada, estava sempre disposto a enfentar qualquer situação, ninguém o conhecia em estado de desânimo, depressão ou tristeza. Estava sempre animado e animando os outros.

4 - É HOMEM DE GUERRA

Davi não se intimidava com os inimigos, partia para cima, e veja que essa qualidade foi detectada em sua vida, mesmo antes de ter assumido o posto de rei. Isso vinha dele próprio, era guerreiro em todas as etapas da vida. Um menino, mas guerreiro. Não se entregava. O guerreiro luta e vai às últimas consequências no afã de atingir seus objetivos, ainda que para tanto sua vida esteja em risco. Deus já via nele essas qualidades, e os homens também.

5 - SISUDO EM PALAVRAS

Davi era sério em suas tratativas, tinha palavra, não tibubeava. Bem mais tarde os Apóstolos, tanto Paulo assim como Tiago, viriam advertir a Igreja sôbre isso, senão vejamos:

"Mas, agora, despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca". Colossenses 3:8

"A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um". Colossenses 4:6

"Mas, sobretudo, meus irmãos, não jureis nem pelo céu nem pela terra, nem façais qualquer outro juramento; mas que a vossa palavra seja sim, sim e não, não, para que não caiais em condenação". Tiago 5:12

É necessário que o homem de Deus seja dotado dessa prerrogativa tão nobre.

6 - DE GENTIL PRESENÇA

Davi era bonito, agradável e simpático. Quero aqui interpretar que sua generosidade, fazia com que acima de qualquer biotipo de beleza fisica, ele erqa o tipo de pessoa que cabia em qualquer lugar e situação que fosse necessário. Tanto no campo tomando conta das ovelhas, como no Palácio real, saberia se portar. Essa teria sido a mensagem que o apresentante do seu currículo queria passar. Julgo interessante frisar que, a condição de valente, guerreiro e sisudo em palavras, não fizeram de Davi uma pessoa intragável, muito pelo contrário, sabia conciliar todas essas facetas da sua personalidade, de tal forma que o conjunto da obra era perfeitamente agradável.

Um pouco antes de Davi, o profeta Samuel em sua juventude apresentava essa qualidade:

"E o jovem Samuel ia crescendo e fazia-se agradável, assim para com o SENHOR como também para com os homens". 1 Samuel 2:26

Andar na presença de Deus, não é motivo para que ninguém se torne uma pessoa intolerável, intragável ou desagradável.

Mardoqueu foi outro portador dessa virtude:

"Porque o judeu Mardoqueu foi o segundo depois do rei Assuero, e grande para com os judeus, e agradável para com a multidão de seus irmãos, procurando o bem do seu povo e trabalhando pela prosperidade de toda a sua nação". Ester 10:3

"Porque quem nisto serve a Cristo agradável é a Deus e aceito aos homens". Romanos 14:18

7 - O SENHOR É COM ELE

Poderia haver algo mais sublime do que essa constatação e testemunho a respeito de alguém? Acredito eu, que esse último tópico do currículo de Davi apresentado por aquele jovem, suplanta extraordinariamente todos os demais. Isso é simplesmente a assinatura de tudo o que se disse antes, ou seja, o verdadeiro motivo de todas as virtudes que Davi apresentava, era o fato de que o Senhor era com Ele.

José ao ser vendido por seus irmãos, como escravo para o Egito, em todas as etapas da sua escalada à função de governador, desde a casa de Potifar até o cárcere, apresentou essa excelente e impagável prerrogativa: O Senhor era com ele:

"E o carcereiro-mor não teve cuidado de nenhuma coisa que estava na mão dele, porquanto o SENHOR estava com ele; e tudo o que ele fazia o SENHOR prosperava". Gênesis 39:2

QUE O SENHOR NOS AJUDE A PERSEGUIR ESSAS VIRTUDES, DE TAL MANEIRA QUE NOS APRESENTEMOS COMO CRISTÃOS VERDADEIROS, HOMENS DE DEUS OBREIROS APROVADOS PARA TODA BOA OBRA.

No amor do Mestre,

sexta-feira, 20 de março de 2009

A Liderança de Jesus


A Liderança de Jesus


 

Este artigo é resultado de uma entrevista, a qual fui questionado sobre a liderança de Jesus da seguinte forma: 

Como foi tal liderança? Quais os métodos utilizados? 

Os pastores e líderes têm seguido o exemplo de Jesus? Ele foi o maior líder que existiu? Por quê? 

A fim de se entender como Jesus exerce a maior influência que qualquer homem teve na história, quero observar alguns conceitos que a Bíblia nos traz. 

Em 
Romanos 8:29 vemos que Jesus é o "primogênito" entre muitos irmãos, ou seja, o primeiro filho de Deus. No verso 14 diz que os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Com isso, quero demonstrar um princípio: a primeira qualidade de filho de Deus é ser guiado pelo Espírito Santo. Para se entender como Jesus viveu e estabeleceu esse conceito,Hebreus 5:8 mostra que Ele aprendeu a obediência nas coisas que sofreu. Entendo que Ele passou por uma "escola de preparação no espírito", a fim de exercer a maior liderança de todos os tempos. É verdade que essa liderança sobre a Terra foi destinada a Adão e Eva. Contudo, ao não se submeter em à vontade de Deus, eles trouxeram à existência o pecado na humanidade. 

Quando Jesus é introduzido na história da humanidade, vemos que o maior líder abre mão de Sua essência divina e, em obediência à vontade de Deus Pai, se torna igual àqueles a quem vai liderar. Em primeiro lugar, Sua liderança está fundamentada no Seu destino e, em segundo, no 
amor ao Pai. Ela não foi imposta por homens, mas surgiu de uma influência pessoal exercida sobre aqueles que desejaram seguí-Lo. 

A liderança de Jesus vem da revelação de Deus Pai sobre Seu destino aqui na Terra. Isso traz o conceito de 
Romanos 12:1-2, onde ensina que devemos submeter nossos corpos como sacrifícios vivos ao Senhor, a fim de experimentarmos qual é a Sua boa, agradável e perfeita vontade para nós. Jesus dizia que seu alimento era fazer a vontade do Pai, pois Seu sustento físico vinha em cumprir a vontade do Pai. É dessa atitude que fluem os princípios de autoridade e influência de Jesus. No evangelho de Lucas, ao ser questionado com que autoridade Ele expulsava demônios, Ele afirma que o Filho por si nada faz, mas tudo que viu e ouviu o Pai fazer. Mesmo em Sua vida como homem sem pecado, Jesus não fazia nada sem a direção do Espírito Santo. A autoridade e influência sobre pessoas eram firmadas em uma direção de Deus e em submissão total ao Espírito Santo. 

A postura de Jesus como líder é firmada em princípios de Reino de Deus, em viver os princípios de amor descritos em 
1 Coríntios 13, e demonstrando frutos do espírito descritos em Gálatas 5. Ele demonstrava amor e frutos do Espírito com todos, e não somente com Seus discípulos. Afinal, Ele deu Sua vida por todos, e não somente por aqueles que criam nEle. 

Jesus exerceu Sua maior influência sobre aqueles que criam nEle: Seus discípulos. Nisso quero observar algo que ele ensinou sobre liderança: aqueles que querem ser líderes devem servir aos outros. Interessante que Jesus não usava títulos para Se projetar diante dos homens, mas foi diante de uma revelação do Espírito Santo sobre sua identidade que declarou de diversas formas que Ele era o Filho de Deus, o Messias e o Salvador. Por isso, Seus discípulos criam. Sua liderança foi benéfica e buscou fazer com que cada discípulo descobrisse qual era a vontade de Deus Pai para sua vida, assim como aconteceu com Ele próprio. É como se Ele fizesse um convite: "olhem para minha vida e verão que vale a pena fazer a vontade do Pai. Porque ela é boa, agradável e perfeita". 

A autoridade de Jesus se estabelece sobre a vida daqueles que voluntariamente se submetem a Sua liderança. De forma profética, Ele veio estabelecer o caminho de salvação para a humanidade, mas temos que entender que essa vontade foi estabelecida pelo Pai, e não pelo próprio Jesus. E por estar submisso à vontade do Pai, Ele era respaldado com a manifestação de poder do Espírito Santo, quando realizava curas, libertações, purificações de leprosos, ressurreição de mortos e na manifestação de 
santidade que emanava de Sua vida. Esses respaldos de Deus em Sua vida deram autoridade em sua pregação: "arrependei-vos, pois é chegado o Reino dos céus". 

Verdadeiramente Jesus é o maior líder de todos os tempos. Porém, na minha opinião, não se pode apontar certos princípios de liderança senão a razão pela qual Ele veio para a Terra. Sua liderança aconteceu porque Ele soube obedecer ao Espírito Santo e, assim, o Pai estabeleceu uma "jurisdição espiritual" na Sua vida que impactou não somente os discípulos daquela época, como impacta 
vidas até hoje. Ele não escolheu se tornar um líder mas, sim, foi a vontade de Deus Pai. Isso porque Ele aprendeu a obedecer a vontade do Pai revelada pelo Espírito Santo que habitava nEle. 

Quanto aos métodos de liderança utilizados por Jesus, é simples: o filho de Deus é guiado pelo Espírito Santo. É o Espírito Santo quem estabelece a liderança e o campo de influência mediante a obediência de um filho de Deus. Há líderes e pastores que seguem esse exemplo hoje? Alguns sim, outros não. Observa-se algumas qualidades semelhantes à liderança de Jesus em líderes cristãos e em não cristãos, mas a questão é: queremos qualquer liderança ou uma que traga o Reino de Deus para a Terra? A liderança que traz o Reino de Deus para Terra precisa seguir o exemplo de Jesus, o primogênito. 

Por sermos redimidos pelo Seu sangue, devemos seguir Seus exemplos e nos submeter ao Espírito Santo, permitindo sermos guiados por Ele. É Ele quem vai estabelecer esse nosso campo de liderança e influência, seja no lar, na escola, em uma congregação, no trabalho, no hospital ou em uma empresa. A questão é: nos tornaremos líderes pelo nosso próprio esforço ou nos submetendo ao Espírito Santo, à imagem daquilo que Jesus fazia? Pois foi assim que Ele se tornou o maior líder de todos os tempos. 
Por Mike Shea 




sexta-feira, 13 de março de 2009

Pastor Ciro Sanches Zibordi Comenta os 100 anos das Assembléia de Deus no Brasil



Resolvi postar um artigo do Blog do Pr. Ciro que achei muito pertinente com relação ao Centenário da Maior Igreja Evangélica no Brasil Assembléia de Deus.

Às vésperas de seu centenário, a Igreja Evangélica Assembléia* de Deus, pioneira do Movimento Pentecostal no Brasil, elegerá neste ano — se o Senhor Jesus não voltar antes de abril — o presidente de sua convenção geral para um mandato de quatro anos. Teremos também as eleições de outros cargos que compõem a Mesa Diretora, como os cinco vice-presidentes, um por região.Tenho orado pela nossa igreja e pensado seriamente em seu futuro. E estou esperançoso com a realização da próxima Assembléia* Geral Ordinária, em Vitória-ES, em abril deste ano, a qual — além de ser a maior de todos os tempos — poderá nos propiciar um recomeço, não por causa dos nomes escolhidos para formarem a Mesa Diretora da convenção, e sim por eu acreditar que as lideranças assembleianas aproveitarão essa valiosa oportunidade para fazerem um pacto em prol do cumprimento da quase-esquecida Grande Comissão.O QUE PODERÁ MUDAR DEPOIS DA AGO? Anseio por um novo começo, que resulte em recuperação do que perdemos nos últimos anos, pois avivamento, à luz da Palavra de Deus, não é, essencialmente, introdução no culto a Deus de novidades, e sim reconquista do que foi perdido (Lm 5.21; Jr 6.16). Não foi isso que aconteceu nos dias dos reis Ezequias e Josias? Sim, houve uma verdadeira renovação (2 Cr 29-30; 2 Rs 22-23).Temos tido muitas perdas, sobretudo no que tange ao compromisso com a Palavra de Deus. Até quando os nossos cultos serão shows, e as nossas pregações, palestras motivacionais, que apenas entretêm os crentes? Até quando a quantidade de evangélicos reunidos, em mega-eventos, será mais importante do que as almas salvas? Até quando o “grande reboliço” será mais importante que o culto racional, em espírito e em verdade, com decência e ordem?A despeito de certos líderes sem chamada de Deus ou desviados da verdade desejarem que a Assembléia* de Deus seja cada vez mais liberal e secularizada, a nossa igreja não pode ter como parâmetro de sucesso apenas o crescimento numérico. Este tipo de crescimento Deus até valoriza, mas não o prioriza (Jo 6.60-69; Mt 7.13,14,21-23).É lamentável o fato de líderes de nossa igreja abrirem mão da verdade em prol das multidões. A única explicação para isso é a priorização do aumento da receita, tendo em vista vantagens e o enriquecimento ilícito. Por isso, temos visto certas Assembléias* de Deus se igualando a igrejas pseudo-cristãs, cujas bandeiras são a falaciosa teologia da prosperidade e o evangelho-show, não tendo nenhum compromisso com os mandamentos e princípios das Escrituras.ALGUÉM SE LEMBRA DA GRANDE COMISSÃO?Neste longo artigo de início de ano, desejo enfatizar a necessidade de a Assembléia* de Deus retomar os antigos ideais da Grande Comissão. Sim, o Senhor Jesus comissionou a sua Igreja, chamando-a para uma tríplice tarefa: pregar o evangelho em todo o mundo, fazer discípulos de todos os povos e batizá-los em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo (Mc 16.15; Mt 28.29, gr.). E eu pergunto: O que temos feito em prol desses ideais?Até quando os nossos principais congressos serão ajuntamentos para, apenas e tão-somente, gritar, pular, marchar, ao som de gritos ensurdecedores de animadores de auditório? Até quando valorizaremos mais as mensagens e cânticos voltados exclusivamente ao bem-estar dos crentes? Até quando iremos aos cultos apenas para receber bênçãos, em vez de adorarmos a Deus, crescermos na graça e no conhecimento do Senhor Jesus, sendo cada vez mais cheios do Espírito Santo?Tenho esperança de que o presidente eleito — ou reeleito —, a partir de agora, se preocupará um pouco mais com a Grande Comissão. E creio que a Mesa Diretora escolhida o apoiará na realização de grandes projetos em prol de evangelização, missões e ensino sistemático da Palavra de Deus, pois o que prevalece hoje é a preocupação com os aumentos de membros (e não de discípulos) e de receita das igrejas.Não podemos ignorar a primacial tarefa da Igreja de Cristo. Negligenciá-la implica desprezarmos as nossas origens. Para que recebemos o poder dinâmico do Espírito Santo? Para nos gloriarmos, dizendo que somos o povo que grita, pula e sapateia? Infelizmente, muitos pensam que ser pentecostal é isso... Mas o revestimento de poder existe, sobretudo, para nos impulsionar à pregação do evangelho às almas perdidas (At 1.8; Mc 16.15-20).Quando os apóstolos Daniel Berg e Gunnar Vingren foram batizados com o Espírito Santo, nos Estados Unidos, o que mais se evidenciou na vida deles não foi o falar línguas estranhas (ainda que isso seja uma das evidências desse dom do Espírito), tampouco pulos e gesticulação espalhafatosa. Eles se sentiram impulsionados pelo Espírito a ganhar almas e vieram ao Brasil a fim de propagarem o evangelho no poder do Espírito de Deus.PRECISAMOS MESMO DE UMA REDE DE TELEVISÃO?Oro para que o pastor-presidente da nossa convenção não seja alguém ávido por atender, primordialmente, aos interesses dos assembleianos. Afinal, Deus não nos chamou para fazer a vontade do povo, e sim a sua vontade (Mt 7.21; 2 Co 1.1). Eu sei que precisamos de mais espaço na mídia. Mas que não sigamos o exemplo de igrejas (ou empresas?) e televangelistas (ou telenganadores?) cujos programas giram em torno de autopromoção, vendagem de produtos, consecução de recursos para manter impérios pessoais, etcétera e tal.Quem hoje prega, verdadeiramente, o evangelho a fim de alcançar os pecadores com a mensagem cristocêntrica? Paradoxalmente, não há nenhum programa evangélico voltado especificamente à pregação do evangelho, ainda que alguns dediquem um pequeno espaço do tempo a isso. Tenho visto muita propaganda e venda de produtos (o que é lícito, se feito com moderação), pregação de vitória (exclusivamente para crente), verberação contra desafetos, divulgação de igrejas e campanha tácita visando ao aludido pleito de abril/2009.Muito se fala acerca de uma rede de televisão, e alguns pastores dizem que a nossa igreja ficou para trás. Os candidatos à presidência da nossa convenção estão sendo pressionados a imitarem líderes de igrejas ditas evangélicas que promovem shows para crente ou apresentam todo tipo de programa para competir com a concorrência. Como manter um canal assembleiano com boa audiência sem rechear a programação de entretenimentos mundanos? Não é melhor a Assembléia* de Deus comprar horários nobres e pregar o evangelho de Cristo aos pecadores?Temos mesmo de seguir ao exemplo de telebispos, telemissionários e tele-apóstolos, cujos programas têm como finalidade arrecadar dinheiro e mais dinheiro? Veja o caso da maior emissora dita evangélica do País: propaga tudo o que não presta (é inclusive declaradamente favorável ao aborto) e assim consegue competir com a Rede Globo em alguns horários. Esse é um bom exemplo para nós?Precisamos mesmo de uma rede de televisão? Não! Pois essa não é a nossa vocação. Não fomos chamados para ter impérios de telecomunicações, ao contrário do que muitos pensam. Podemos, sim, nos valer de todos os recursos à nossa disposição (televisão, rádio, Internet, etc.), mas não é missão da igreja competir com emissoras mundanas, como fazem os canais “evangélicos” da atualidade.ALGUÉM SE LEMBRA DA DÉCADA DA COLHEITA?Devemos — repito — usar todos os recursos disponíveis para a pregação do evangelho. E os dízimos e ofertas, se forem bem empregados, podem servir não apenas para a construção de catedrais, mas para o custeio de programas verdadeiramente evangelísticos. Estamos dispostos a deixar a vaidade de lado e pregar o evangelho? Para isso, os nossos programas terão de fazer menos propaganda de nossos líderes e igrejas. Queremos isso? Ou preferiremos mostrar para todos que a Assembléia* de Deus também pode ser como as igrejas-empresas?Alguém se lembra da Década da Colheita? Que projeto nobre era aquele! Por que não houve os resultados esperados? Alguns dizem que foi por causa da morte repentina do inesquecível pastor Valdir Nunes Bícego, relator e principal propagador do projeto. Mas não foi apenas isso que fez o arrojado plano sofrer solução de continuidade, ainda que a competência do saudoso evangelista e mestre Valdir Bícego seja até hoje lembrada. Tem faltado visão mesmo a nossos líderes.Não estou criticando a ninguém em específico. Respeito profundamente os antigos e atuais membros da Mesa Diretora da nossa convenção. Mas escrevo isso com o intuito de refletirmos juntos acerca do que já fomos, temos sido e poderemos ser. Quando falo de um “novo começo”, não quero dizer que precisamos, necessariamente, de um novo presidente, e sim de uma nova mentalidade.Temos pregado o evangelho aos perdidos? Sinceramente, muito pouco. Temos feito discípulos? Francamente, muito pouco. Temos batizado em águas? Na verdade, são poucas as pessoas que chegam ao batismo; e mesmo assim elas não passam por uma formação adequada. Prova disso é a facilidade com que o povo assembleiano — sobretudo a juventude — se deixa levar por ventos de falsas doutrinas, modismos e ondas de misticismo.A verdadeira Assembléia* de Deus é a igreja da Palavra, que evangeliza, faz discípulos, batiza-os em água. É a igreja movida pelo poder dinâmico do Espírito (At 1.8; Rm 1.16). Seus cultos têm cânticos, exposição da doutrina e manifestação multímoda, multiforme, do Espírito Santo (1 Co 14.26). Não é uma igreja igual ou similar a igrejas pseudo-cristãs, que só falam de prosperidade material, curas e milagres. A legítima Assembléia* de Deus, fiel à sua origem, adora ao Senhor Jesus, prega a sua doutrina e crê em curas e milagres, mas sem priorizá-los, posto que eles são apenas os efeitos do evangelho, e não o evangelho (1 Co 1.22,23; 12.28; Jo 10.41; Dt 13.1-4).Sei que este extenso artigo, publicado no primeiro dia de 2009, não é nada simpático. Mas é necessário. Uma igreja vigorosa evangeliza, faz discípulos e batiza-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. E muito me admira o fato de pastores estarem cobrando dos candidatos à presidência de nossa convenção geral que tenhamos um canal de televisão, como se isso fosse a principal missão da Assembléia* de Deus ou a solução para todos os seus problemas! Por que não nos unimos e levantamos a bandeira da Grande Comissão, deixando de lado os nossos projetos pessoais?

Ciro Sanches Zibordi* Não empreguei neste artigo a nova grafia da língua portuguesa, que entra em vigor hoje (veja a seção Nova Ortografia neste blog), pela qual seremos obrigados, a partir de 2012, a escrever Assembleia (sem acento).